Carta ao meu primeiro amor · Talvez a culpa não seja só das estrelas


foto · we heart it

      
    Caro E.,
     
    Ainda era fim de tarde, mas elas já estavam no céu. Brilhantes, como sempre estiveram. Meu olhar rapidamente fixou-se em uma delas, que era tão pequenina quanto um raio passageiro. E logo percebi o que esta me trazia. Você. E algumas mágoas. Mas alegrias também. Uma coisa foi levando à outra, até que voltei ao dia em que te vi pela primeira vez. Lembro-me bem quando cheguei à sua casa, sem nenhum pretexto, apenas “por ir”. Fomos apresentados, sentamos em algumas cadeiras perto do jardim e conversamos. Ou tentamos. Você e eu estávamos envergonhados o suficiente para ficar calados, um de frente para o outro. Suas bochechas coraram. Olhei para o chão. Perguntei como andavam às aulas. E ficamos nesse vai-e-vem. Até que meu pai soltou uma para você.
      Já tá no tempo de namorar, hein? Cortejar as gatinhas. (risos)
    “Que tipo de pessoa ainda falar ‘cortejar’?”, pensei. Ah, claro. Meu velho.
   Primeiro, você sorriu; ainda meio corado, mas lindo o suficiente para meu coração palpitar cada vez mais forte. Logo depois nos olhamos com urgência, como se procurássemos uma saída. Eu só queria que tudo aquilo acabasse. Como eu sou boba. Estava só começando. Passou-se um ano e eu te vi novamente, bem pertinho de mim. Outro, e continuávamos vizinhos, mas cada qual com a sua turma e mal falávamos se é que isso acontecia —. Mas, de uns tempos para cá, comecei a te ver com outros olhos. Os olhos do amor. Foi tudo muito rápido. Posso resumir com uma frase do John Green, ao qual é a minha preferida: Me apaixonei do mesmo jeito que alguém cai no sono: gradativamente e de repente, de uma hora para outra.
   Não sei se foi uma espécie de intervenção do destino, mas por um acaso, voltamos a conversar (viva a internet!). E conversamos. Coisas do dia a dia. Um oi aqui e acolá quando nos encontrávamos. Em seguida, passamos para sua banda preferida. Fiz um esforço e comecei a gostar só para termos o que conversar. E deu certo. O que falar sobre quando você me chamou de amor? Foi a melhor coisa que ouvi este ano. Também não posso deixar de citar o dia em que demos nosso primeiro abraço o melhor que já ganhei em toda minha vida —. E este não passou de um impulso. Um ótimo impulso.
    Cheguei em você, falei algumas palavras e nos olhamos, bem no fundo dos nossos olhos e, junto às suas bochechas coradas, surgiu um sorriso tão sincero que fez meu dia, minha semana e meu mês melhor. Passei a mão pelo seu pescoço e aproximei meu rosto ao seu. Minha única vontade, naquele momento, era dizer o quanto eu te amava. Mas não podia. Não ali. Em vez disso, só apreciei seu cheiro. Ah, e que cheiro.
    Porém, algumas coisas inesperadas foram acontecendo e você estava longe de ser meu. De uma ficada, passou para um namoro sério. É, agora não tem mais jeito. Quem sabe se eu tivesse agido antes? Talvez, há essa hora, estivéssemos juntos, um fazendo cafuné no cabelo do outro, compartilhando casacos, canecas e, principalmente, amor. E quer saber? A culpa é das estrelas também. Se aquela que me prendeu a atenção não estivesse ali, esse filme não teria sido repassado na minha memória. Mas ó: Não importa com quem você esteja agora, serás sempre o meu amor, porque você foi o primeiro e eu espero que um dia possamos, juntos, criar uma conexão. Só nossa. 

Eu te amo, meu amor.

"Talvez a culpa não seja só das estrelas" é um texto dedicado ao meu primeiro amor, escrito em 2013. De lá para cá muitas coisas mudaram: pessoas entraram e saíram da minha vida, cometi alguns erros e acertos ao longo do caminho e, sobretudo, apaixonei-me tantas vezes que até perdi a conta. Devo dizer que estar apaixonada é um dos meus mood's favoritos, uma vez que a chama da paixão deixa-me inspirada em todas as horas do dia (isso é maravilhoso!) e posso, então, utilizá-la para escrever até os dedos cansarem. Quando o escrevi, estava vivenciando essa fase deliciosa da minha vida, cujos meus olhos só enxergavam arco-íris e unicórnios coloridos. Eu estava tão apaixonada pelo garoto que acreditava amá-lo. Como nada dura para sempre, tal "amor", que não era nada além de platônico, se encerrou e eu pude novamente voltar a ser quem era (pois, você sabe, esses amores arrebatadores nos tiram o fôlego e não sobra energia para mais nada) e enxergar que a vida não se resume ao primeiro cara por quem me apaixonei. Hoje publico este texto pois ele foi o primeiro — e, certamente, um dos mais especiais que escreverei — e marca o início da minha jornada como escritora. Talvez de livros publicados, talvez de textos não pensados para aliviar a inquietude dos mais vastos sentimentos que se passam aqui dentro. Este ciclo concluiu-se anos atrás e outro está prestes a começar. E que venham novas lições, novos amores e novas paixões, afinal, inspiração e amor nunca são demais, ainda que este último traga certos arrependimentos e ressentimentos.









pra tagarelar e ver umas imagens bonitas:

13 comentários:

  1. Estar apaixonado é realmente a melhor coisa, só que se machucar é inevitável mas não se dá pra dizer que tal sentimento é algo ruim. Adorei muito o seu text/carta. Sempre penso em começar esse projeto, mas nunca levo a vontade adiante, rs.
    Um abraço.
    https://julietincrisis.blogspot.com.br/

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    1. Não li o post anterior e falei merda. Enfim, tem um projeto em que escrevemos cartas as pessoas da nossa e você já deve ter ouvido falar dele. Poser, era dele que eu estava falando, mas sendo assim, esse seu projeto é mais encantador ainda.

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    2. Oi! Então, o blog não adotou o projeto, é algo autoral. Para falar a verdade, eu não tinha conhecimento sobre, mas certamente darei uma pesquisada.
      Obrigada pela visita!

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  2. Olhos em minhas lágrimas.

    Beijos
    Lua Mariano
    www.meumundodalua.com
    (por favor, se inscreva no blog)

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  3. Olá,Anna! Como você está? De inicio quero dizer que amei o layout do seu blog,e sem contar que é um ótimo lugar para se ficar e ler as cartas que você escreve! Eu estava lendo sue post antigo e fiquei super encantando e achei interessante você colocar uma música pra gente ouvir enquanto lemos! Ah é tão bom falar de amor,mas as vezes só sentimos decepções sabe! O tema do blog vai somente sobre cartas ou terá post aleatórios? Beijos!
    | reckless | e Hematomas

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    1. Obrigada, Luccas! Fico feliz em ler seus elogios. E sim, o blog abordará temas aleatórios, ainda que o nicho seja as cartas. Thanks for coming!

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  4. Oi Anna, tudo bem?
    Primeiro tenho que te agradecer pelo comentário maravilhoso que você deixou no meu blog. E segundo tenho que dizer que a tua escrita é muito bonita e pura. O texto ficou tão meigo que me fez sorrir do início ao fim (e também porque relembrei da minha primeira paixão e o quão triste fiquei quando acabou, eu era super dramática hahahha). Continua escrevendo mais e mais <3

    Beijos
    barbfurtado.blogspot.com

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    1. Tudo bem sim, Barb. Obrigada pelo incentivo!
      Volte sempre, és muito bem vinda!

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  5. Oi, Anna!
    Tenho que começar o comentário dizendo que seu blog é puro amor, entrei aqui e já me apaixonei! Esse layout tá um amorzinho, viu?
    E sobre a carta: amei demais! Li em voz alta e sorri enquanto lia, aliás, não tem como não sorrir lendo um textinho maravilhoso desses. Não vejo a hora de ler mais textos seus <3
    Um beijão,
    Gabi do likegabs.blogspot.com ❣

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    1. Oi, Gabi. Muito obrigada! Você é um doçura!
      Um super beijo!

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  6. Meu Deus, quanta maturidade e quanto amor em um texto só! Amo quando leio textos de anos atrás, sabe? Não sei, me dá um sentimento bom. E você ainda explicou tudo no final... Como não se apaixonar por você, Anna? Me diz?! Faltei chorar lendo e me identifiquei bastante. Entendo bem o que é ver um detalhe na imensidão e com ele se lembrar de um desenrolar inteiro... AH. Não sei. Mas amei. <3

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    1. Obrigada, lindeza! Não tens ideia da minha felicidade ao ler teu comentário. <3

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ei! lê isso aqui!

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